sexta-feira, 1 de maio de 2026

A Bolívia que nos conquistou ou o perrengue que valeu a pena

 Em fevereiro de 2026, no pleno carnaval, resolvemos ir conhecer esse lugar, que era um mistério pra mim e se revelou um lugar incrível, mas perigoo. Passamos 12 dias no total (desses, 4 dias foram dedicados a ir ao Salar do Uyuni, na Bolívia - e tem um post todo dedicado às nossas aventuras no Deserto do Atacama.

Esse mapa foi retorado do blog @umviajante e ilustra perfeitamente o nosso trajeto


Para esse destino tão diferente, sabíamos que teríamos os desafios do clima, da alimentação e principalmente da altitude. E a altitude realmente mostrou-se um grande desafio. Não vamos romantizar a viagem. Realmente é preciso cautela e preparo físico. Respeitar os limites do corpo é essencial nesse roteiro. Ter calma para aclimatação à altitude, alimentação correta e boa hidratação se mostraram passos essencias para o sucesso. Dessa vez somos 3 casais, unidos pelo sonho de conhecr um lugar pouco convencional. Para se prepara para a viagem na altitude, veja o post que fiz sobre o assunto. Vou contar pra vocês tudinho com detalhes, incluíndo os perrengues e dificuldades.


Roteiro resumido: 

Dia 1: Saída do Recife
Dia 2 - Chegada em San Pedro de Atacama - aclimatação + Vale de la Luna
Dia 3 - Lagunas Escondidas + Termas de Puritama
Dia 4 - Vale do Arco Íris + Laguna Cejar
Dia 5 - Bolívia - deslocamento no deserto boliviano
Dia 6 - Bolívia -deslocamento no deserto boliviano
Dia 7 - Bolívia - Salar Uyuni
Dia 8 - Bolivia - deslocamento no deserto boliviano (retorno ao Chile)
Dia 9 - Geyser El Tatio + Vallecito e Magic Bus
Dia 10 - Piedras Rojas e Lagunas Altiplânicas
Dia 11 - Rota dos Salares + Tour Astronômico
Dia 12 - Retorno para Recife

No post do Deserto do Atacama estão todos os detalhes do início da viagem. Esse post eu escrevi para relatar os detalhes da parte boliviana da nossa aventura. 

Contratamos o pacote VIP de 4 dias e 3 noites com a FuiGostei, que incluia todas as refeições, transporte numa Toyota 4x4 privativa para até 6 pessoas, um guia que nos acompanhou do início ao fim, hotéis de categoria superior (para garantir o descanso adequado), banho com água quente e internet nas hospedagens. Podíamos levar uma mochila e uma mala pequena de até 10Kg. Cada pessoa deveria levar dinheiro em espécies (cerca de 400 bolivianos) e 5 litros de água. 
Como tinha essa limitação da bagagem a gente viajou com uma mala pequena dentro da mala grande e deixamos a mala grande guardada no hotel, em San Pedro de Atacama. Esse já era o primeiro desafio: o que levar na mala para um lugar muito frio e muito quente. Levamos toalha, pois não sabiamos das condições sanitárias dos hotéis até chegar lá. 
Nessa mala a gente não pode deixar de colocar roupa de frio e de calor, roupa de banho, toalha (de microfibra), chinelos (para banho), óculos de sol, protetor solar e labial, garrafa de água, papel higiênico ou lenço umedecido (e saco plástico para recolher e levar seu lixo consigo), remédios para ajudar no mal da altitude (ver post específico) e pra tudo mais (lá não teria farmácia), carregador de celular e bateria extra (não tem sinal, mas você vai tirar mais fotos do que imagina) e muitos lanchinhos para os 4 dias de passeio. Não precisa levar saco de dormir.
Nosso guia, o Angel, foi uma surpresa boa à parte. Ele foi incrível. Sempre alegre e disposto. Fotógrafo maravilhoso e bem humorado. Ele ainda era bom motorista e tinha formação para resolver qualquer problema mecânico do carro se fosse preciso. o que é bem importante, pois se o carrro quebrar, não tem como pedir socorro. Tem que esperar passar alguém pra pedir ajuda. Era muito responsável e cuidadoso. A operadora de turismo que nos levou foi a Uturunkun (contratada pela FuiGostei). 

A Bolívia é um destino fascinante na América do Sul, conhecida por paisagens andinas surreais, uma rica cultura indígena e custos mais acessíveis. Ir à Bolívia já é um desafio. É um país muito pobre e as condições sanitárias podem ser bem desafiadoras. Li muitos artigos e blogs sobre essa travessia do deserto boliviano para chegar ao Salar do Uyuni, que era o destino principal da viagem. E os relatos não eram muito estimulantes, confesso que estava com bastante medo do que nos aguardava. Chegar ao Salar Uyuni envolve muitos desafios como altitude extrema (quase 5.000m), frio intenso no inverno e calor no verão, grande amplitude térmica, estradas de terra em uma 4X4, exigência de dinheiro em espécies, ausência de sinal de internet na maior parte do percurso, dificuldades com banheiros e infraestrutura básica. E se alguém passasse mal, não teríamos a menor possibilidade de socorro rápido...

A língua ofical do país é o espanhol, embora nos vilarejos se fale também línguas nativas como o quechua, o aimara e o guarani. A moeda oficial é o boliviano (BOB). O país não exige visto para brasileiros por causa do acordo do Mercosul e não é exigido passaporte, a carteira de identidade com até 10 anos de emissão e em bom estado de conservação é válida (não a CNH, viu?). O certificado internacional de vacinação contra a febre amarela (CIVP) é exigido, embora não nos tenha sido pedido em nenhum momento. O seguro viagem não é uma exigência, mas é uma recomendação. As tomadas bolivianas são de 220v de 2 pinos redondos (como as antigas tomadas brasileiras) ou de 3 pinos alinhados, como as chilenas.  Não tivemos sensação de insegurança. Nas cidades maiores dizem que é bem raro os assaltos, mas os furtos são frequentes. 

Essas são as notas de bolivianos (BOB)

tomada boliviana


O salar Uyuni é o maior deserto de sal do mundo, e por isso está no imaginário de muitos viajantes. Principalmente daqueles que pesquiam lugares exóticos. Pisar lá é a concretização de um desejo de muitas pessoas e uma experiência muito legal. Ele é famoso pela paisagem espelhada do lugar. Mas é preciso escolher bem a época de ir. Nenhum agência pode garantir o espelho d'água, pois pra isso, é preciso que haja o acúmulo das águas da chuva (que normalmente acontecem de dezembro a março). Nessa época também pode acontecer de nevar  e fazer bastante frio, pois ela corresponde ao inverno altiplânico. A gente teve muita sorte e tudo foi perfeito, mas existem ocasiões que as rotas são fechadas por excesso de chuva e até o próprio salar pode fechar por ficar inacessível.  Na época seca, (de abril a novembro) não exisste o espelho d'água e o sal fica todo craquelado, mostrando figuras hexagonais. Pela segurança de poder entrar no salar, na época seca é quando o salar está mais cheio de gente e as temperaturas são negativas quase todo o tempo. 

É preciso ter muito espírito aventureiro e desapego à vaidade e à higiene para topar o tour econômico ao Salar (3 dias e 2 noites). Esse tour econômico custa cerca de U$200 por pessoa (nós pagamos cerca de U$800 por pessoa).  Tem gente que vai por conta própria até Uyuni e lá compra o passeio do Salar, mas a gente achou que a Bolívia não seria própria para pessoas sem experiência no país e preferimos a segurança. Existem também alguns tours mais curtos de 1 ou 2 dias e tours que saem de La Paz ou da cidade de Uyuni. Tem opção para todos os gostos, bolsos e necessidades.

Existem diferenças também em relação às acomodações dos pacotes. O pacote clássico conta com uma hospedagem mais simples com quartos e banheiros compartilhados em pousadas ou hospedagens caseiras. Mas mesmo nessa categoria é possível pagar um pouco mais para ter quarto e banheiro privativo. Os vídeos que vimos antes de viajar nos desestimularam a contratar essa opção de viagem. Nessa opção eles prometem água quente, mas nem sempre tem calefação disponível ou internet. No pacote semi VIP as pousadas são um pouco melhores, com quartos e banheiros privativos, mas sem calefação garantida). É bom lembrar que as noites no deserto são bem frias, com muito vento e temperaturas negativas. No pacote VIP (o que contratamos) a hospedagem é garantida nos melhores hotéias da região, em quartos de luxo, com calefação e wi-fi garantidos. 

Nossa aventura boliviana começou efetivamente no nossso quinto dia de viagem no Deserto do Atacama. Já estávamos (quase todos) bem aclimatados à altitude  e partiríamos pra conhecer o que seria o nosso 25º país. Saímos do hotel ainda escuro, as 5h da manhã. Estava muito frio. Uma van compartilhada veio nos buscar pra levar até a fronteira do Chile com a Bolívia. Fizemos um trajeto de quase 1 hora de van até a fronteira e estava muito frio. A fronteira é quase aos pés do vulcão Licancabur (4.500m de altitude). E o que me chamou atenção é que a fronteira fecha das 18 às 8h. A gente sai cedinho pra poder ficar na fila pra passar. São muitas vans para fazer a travessia. E o que é esquisito é que o pessoal que busca a gente no hotel não explica NADA. A gente se sente como mulas que não sabem o que está acontecendo. Até o banheiro da fronteira fecha e só abre às 7h da manhã. Então eles servem um café da manhã (na fronteira mesmo), num frio daqueles e a gente fica esperando e ainda sem entender o que está acontecendo. Foi na espera do banheiro que fiz amizade com um casal holandês muito legal. Ele está aprendendo espanhol e por isso está viajando pela América do Sul e contei pra eles que temos planos de ir à Holanda em agosto. Aprendi uma palavra em holândes que quer dizer: Que legal! "Gezellig!".

Caminho até a fronteira Chile/Bolívia - frio e escuro. 

Fronteira Chile/Bolívia (aos pés do Licancabur e Juriques)

Fronteira Chile/Bolívia - vocês não tem ideia do frio que fazia. 

Fronteira Chile/Bolívia - Vulcões Licancabur e Juriques.



Fronteira Chile/Bolívia - fila de vans para a travessia. 

Os documentos necessários na fronteira são: (1) RG ou passaporte; (2) Tarjeta única migratória do PDI - aquele papela que a gente recebe no aeroporto, ao entrar no Chile; (3) Formulário de imigração boliviana - a agencia manda o QrCode ou o guia fornece o formulário no carro de ida; (4) Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia - CIVP - com a vacina de febre amarela. Ah! Quando marcar o ponto de saída e depois de reentrada, coloca Hito Cajones.



Quando a fronteira do lado chileno abre, todo mundo volta para a van e a fila de vans se forma. Na nossa vez, a gente precisa descer da van com o passaporte e o PDI que a gente recebeu na entrada do Chile. A gente recebe então o carimbo de saída e volta pra van. A van segue então até o terra de ninguém, entre Chile e Bolívia, onde trocamos para a Toyota 4x4 com o nosso guia e seguimos para a fronteira boliviana. Se o tour contratado for o clássico, a lotação do carro vai ser completada com pessoas que você pode não conhecer. Se for o tou semi-VIP ou VIP, o carro é privativo para o seu grupo (e o valor do carro é dividido pelo número de pessoas, até no máximo 6). 

Na véspera da viagem, a agência nos enviou um QrCode para a gente preencher as informações de entrada na Bolívia. O novo carro coloca todas as malas em cima e cobre com uma lona para evitar um pouco a poeira do deserto. Como não tem posto de gasolina até chegar em Uyuni, é comum ter um ou dois galões de combustível em cima do carro, junto com as malas. Por isso, todos os itens que você precise ter acesso rápido como comida, água, agasalho, remédios, lenços úmidos, dinheiro e passaportes ou documento de identificação precisam estar na mochila (que vai dentro do carro). Ao chegar na fronteira boliviana, a gente desce com o passaporte e o celular, para uma fila em que o funcionário (super mal humorado) quer que você mostre a página com o carimbo de saída do Chile para dar o carimbo de entrada na Bolívia. O funcionário foi bem grosseiro e não tinha paciência para dizer o que ele queria. Portanto, já entregue o passaporte na página do carimbo de saída do Chile pra facilitar sua vida. Essa fila é bem grande e o frio continua firme e forte, com bastante vento. Depois dessa parte, seguimos para a aduana boliviana, onde temos que mostrar o QrCode do formulário preenchido. O funcionário então entrega um papelzinho pequenino e azul que a gente precisa entregar ao guarda que fica na fronteira e ele nos deixa entrar andando na Bolívia, por volta das 10h da manhã. Uma vez na Bolívia, aproveitamos para ir ao banheiro e ali a gente começava a entender as condições sanitárias do país. O banheiro era em uma espécie de estalagem ou pousada onde os guias dormem. Tinha quartos, banheiros e refeitórios. Na Bolívia sempre se paga pelo menos 5 BOB para usar o banheiro, mesmo quando eles são bem sujos. Agora sim, vamos seguir com a nossa aventura!

Esse é o posto de aduana do lado boliviano (onde recebemos o papelzinho azul)

Aqui é a imigração boliviana (ficamos nessa fila para receber o carimbo boliviano e mostrar o carimbo de saída do Chile)

Já dentro da Bolívia (entra-se caminhando)

Na Bolívia

Processo de imigração concluído. 

Fronteira Boliviana (Hito Cajones)

Na Bolívia


Ali é uma espécie de área de defesa da fronteira boliviana

Ingressos do Parque Nacional Boliviano - são obrigatórios - guarde, pois podem ser pedidos a qualquer momento nos passeios e se você não achar, precisa pagar de novo (150BOB)


Experiência do primeiro banheiro boliviano


Logo que a gente passa da fronteira a gente precisa comprar o bilhete de entrada da Reserva Nacional, que custa 150BOB. É preciso guardar bem esse bilhete, pois vamos precisar dele nos 4 dias de passeio. 

A primeira parada do Deserto Boliviano foi na Laguna Blanca (4.350m), que é rica em borax e cobre. O visual é demais. O guia nos deixa percorrer um pequeno trajeto a pé para desfrutar da paisagem e nos espera com o carro um pouco à frente. A laguna está localizada na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa e possui águas salgadas. Sua área é de cerca de 10Km2. O lugar rende fotos maravilhosas. 

Laguna Blanca (4.350m de altitude) - deserto boliviano

Laguna Blanca (4.350m de altitude) - deserto boliviano


Laguna Blanca (4.350m de altitude) - deserto boliviano


Laguna Blanca (4.350m de altitude) - deserto boliviano


Laguna Blanca (4.350m de altitude) - deserto boliviano


Caminhada até o nosso carro, curtindo a paisagem da Laguna Blanca


Em seguida fomos para a Laguna Verde, que é bem próxima da Laguna Blanca. O nome da lagoa é devido à coloração esmeralda de suas águas ricas em arsênico, por isso essa lagoa, diferente da Blanca, não tem nenhum tipo de vida. Nessa lagoa vemos o vulcão Licancabur e o Juriques, que deixa a paisagem ainda mais sensacional. Aqui vimos muitas aglomerações de pedras, que o guia explicou se chamam de Chuta ou Apacheta. Essas torres de pedras tem um significado espiritual ou uma oferenda à Pachamama.

Laguna Verde

Apacheta, na Laguna Verde

Laguna Verde - primeira foto com nosso guia, Angel

Laguna Verde

Laguna Verde


A próxima parada foi no Desierto de Dali (4.750m), cerca de 1h30 depois do início da travessia. Ele cobre uma área de 110 km2. Recebeu esse nome pela semelhança com algumas paisagens pintadas pelo pintor, embora não exista nenhuma evidência de que ele tenha algum dia sabido da existência desse lugar. São formações rochosas que parecem não ter nenhuma conexão com a paisagem local, como num quadro surrealista.  E aqui, pela primeira vez, precisamos usar o banheiro Inca (que é quando não tem banheiro). 

Desierto de Dali, Bolívia (4.750m de altitude)

Desierto de Dali, Bolívia (4.750m de altitude)

Desierto de Dali, Bolívia (4.750m de altitude)

Desierto de Dali, Bolívia (4.750m de altitude)


Nessa travessia parte do grupo estava se sentindo muito cansanda e sofrendo com os males da altitude. A gente tinha feito a aclimatação corretamente, pois fizemos passeios por 4 dias em diferentes altitudes, mas na chegada à Bolívia, em menos de 24h, passamos de 2.400m (San Pedro de Atacama) até quase 5.000m.  A gente dispunha de um oxímetro e resolvemos medir a oxigenação de todos (inclusive do guia) para saber se estávamos em algum tipo de risco, A oxigenação da gente estava em torno de 85% e Rose, que estava se sentindo realmente muito mal, estava com 67%... Pra ela esse dia de maior altitude foi realmente bem sofrido. Nosso guia inclusive foi bem cuidadoso e evitou dirigir rapido para que ela não sentisse enjoo e tonturas. Ele nos ensinou que devíamos respirar lente e profundamente. A saturação do guia estava igual à nossa, com a diferença de que ele estava adaptado a viver com pouco oxigênio. A gente estava habituado a viver com 98% de saturação. E seguimos nosso perrengue chique prestando muita atenção na nossa amiga. A altitude pode ser bem perigosa, e não é só por dar enjoos e tonturas, mas pode levar à edemas no pulmão e no cérebro e que podem desencadear a morte. IMPORTANTE: a real cura do mal da altitude é descer para lugares mais baixos e no meio do deserto, não tem tempo para descer rapidamente para lugares mais baixos, assim como não tem serviço médico de urgência e não vi, em nenhum lugar, tubos de oxigênio ou materiais de suporte à vida...

A próxima parada foi nas Termas Polques (4.550m). São piscinas naturais com águas vulcânicas com temperaturas entre 28 e 40°C. É preciso pagar 30 BOB por pessoa, para entrar nas piscinas. As águas são ricas em minerais como magnésio, cálcio e lítio e têm propriedades relaxantes e vasodilatadoras, melhorando os efeitos do mal da altitude. É um local surreal. Enquanto estávamos dentro das piscinas naturais avistamos animais da fauna andina. Só eu e Dico fomos para as piscinas. Os outros estavam se sentindo muito cansados. Tivemos cerca de 20-30 minutos para relaxar nessa água maravilhosa e depois seguimos para o almoço no restaurante do local. Foi servido um prato chamado de "pique a lo macho", um prato boliviano com carne e linguiça, servidos sobre batatas fritas e guarnecido com legumes, ovos e um tipo de pimenta. Eu sou fraquissima para pimenta e dei sorte de não ser sorteada com ela. Não sei se era o tempero da fome, mas o prato estava delicioso. Outra coisa importante: Não tem a opção de escolher o que comer - foi servido um prato único para todos!

Termas Polques - Bolívia (4.550 m de altitude)

Termas Polques - Bolívia (4.550 m de altitude)


Termas Polques - Bolívia (4.550 m de altitude)


Termas Polques - Bolívia (4.550 m de altitude)


Termas Polques - Bolívia (4.550 m de altitude)


Depois do almoço seguimos com a travessia do deserto boliviano e a próxima parada foi no campo geotérmico Geyser Sol de la Mañana. Esse campo geotérmico ativo fica a 4.850m de altitude. As águas são ricas em enxofre e a paisagem é mais bonita no início da manhã devido à maior diferença de temperatura entre o ambiente e as águas.  

Geyser Sol de La Mañana - Bolívia (4.850m de altitude)

Geyser Sol de La Mañana - Bolívia (4.850m de altitude)


Geyser Sol de La Mañana - Bolívia (4.850m de altitude)


Geyser Sol de La Mañana - Bolívia (4.850m de altitude)


Em seguida, paramos na Laguna Colorada (4.300m) com cerca de 10 Km de diâmetro. Essa laguna é rica em argila e em sedimentos de algas, e muda de cor ao longo do dia de acordo com a incidência dos raios solares. Nela avistamos um enorme grupo de flamingos das espécies andino, chileno e james. Caminhamos ao longo de uma trilha até próximo às águas da lagoa, mas não é permitido chegar realmente muito próximo devido à preservação da tranquilidade dos animais. A gente nem tinha ideia de como o Chile e Bolívia têm tantos flamingos assim. 

Laguna Colorada - Bolívia (4.300m de altitude)

Laguna Colorada - Bolívia (4.300m de altitude)


No final da tarde, por volta das 17h ainda fizemos uma parada no Desierto de Siloli na conhecida pedra que devido à erosão eólica ao longo de milhões de anos, é conehcida como El Arbol de Piedra. Aqui o vento era realmente muito forte e precisamos vestir um casaco com capuz. Novamente só eu e Dico descemos do carro. A árvore de pedra tem 5 metros de altura e sua base é de quartzo, que é sensível aos ventos carregados de arenito e sal, aumentando assim o efeito erosivo na rocha. A parte superior da rocha é rica em ferro, que possui uma maior defesa aos ventos resultando no seu formato de cogumelo. Devido à sua fragilidade, foi declarado como monumento natural da Bolívia e é a única rocha da região que não é permitido escalar.  Lá também existem outras esculturas naturais de pedra com formatos inusitados, mas a gente não quis deixar o grupo esperando e voltamos logo para o carro. 

El Arbol de Piedra - Desierto de Siloli - Bolívia 

Desierto de Siloli - Bolívia 

Desierto de Siloli - Bolívia 


Ainda no Deserto de Siloli paramos em um último ponto para observar uma pequena lebre típica da região, a viscacha. Ele é conhecido como o animal mais triste do mundo pela sua expressão de tristeza, com olhos caídos.  

Desierto de Siloli - Bolívia - observando as viscachas

Desierto de Siloli - Bolívia 

Finalmente a próxima parada do dia (depois de mais de 12h de viagem num 4x4) foi o hotel Tayka Del Desierto, ainda no Desierto Siloli, no departamento de Potosi, na Bolívia. O hotel era no meio do nada. Parecia uma paisagem de Star Wars. E é considerado 4 estrelas. O hotel foi construído ao lado de uma fonte de água. O hotel oferece quartos duplos, triplos e quádruplos com banheiro privativo e água quente, wi-fi, restaurante com jantar e café da manhã inclusos, calefação e eletricidade. A diária desse hotel custa U$184. Mas vamos as verdades... O quarto é bem amplo, mas muito úmido, as paredes tem mofo e a gente não entendeu como um lugar tão seco pode ter tanto mofo. E o quarto era muito frio, a calefação não funcionava muito bem. A gente não passou frio porque as cobertas eram realmente bem quentinhas. O banheiro tinha um cheiro estranho. Mas a água realmente era quentinha. O jantar estava muito gostoso. Uma sopinha que nos aqueceu e uma comidinha a base de frango. A comida estava incuída no preço, mas as bebidas não. Tinha uma mesa reservada para o nosso grupo, onde jantamos todos juntinhos com os lábios arroxeados (cianóticos) da baixa oxigenação (mas todos felizes). A calefação parecia só funcionar um pouco melhor nas áreas comuns do hotel. Mas, às 22h tudo era desligado, wi-fi, tomadas e calefação, pois tudo era alimentado por placas solares. Foi horrível acordar de madrugada para ir ao banheiro e não enxergar nada! Mas estávamos tão cansados que a noite de sono foi recuperativa e maravilhosa. Todos do grupo fizeram uso de acetazolamida antes de dormir para tentar diminuir os efeitos da altitude. Estavamos empachados, com sensação de plenitude gástrica, com dor de cabeça, e com dificuldade de respirar. Só fiquei imaginando como foi a noite de quem pagou pelo pacote não VIP... Nossa oxigenção estava mantida, não houve nenhuma piora. 

Hotel Tayka del Desierto - Desierto de Siloli - Bolívia 


Acordamos por volta das 7h da manhã para tomar o café da manhã e sair do hotel por volta das 9h para continuar a travessia em direção ao Salar Uyuni. Ajudamos o nosso guia a arrumar o carro e colocar todas as malas no teto da Toyota e seguimos viagem. Todos estavam se sentindo melhor.  

Hotel Tayka del Desierto - Desierto de Siloli - Bolívia 

A paisagem era sempre supreendente. Paramos rapidamente para ver a Laguna Honda (4.200m) rica em borax e com cerca de 3 metros de profundidade.  Depois paramos na Laguna Negra com seu lindo espelho d'água e na Laguna Hedionda, famosa por seus flamingos. Essa lagoa tem um teor salino de 60 a 80% e uma profundidade média de 30 cm. O nome Laguna Hedionda, significa lagoa fedorenta, devido ao alto teor de enxofre. Foi aqui que encontramos um banheiro terrivelmente mal cheiroso, que mais parecia um banheiro químico, que tinha inclusive instruções de uso e fiz questão de fotografar. E depois paramos em uma última lagoa salgada, a Laguna Cañapa. 

Deserto Boliviano

Deserto Boliviano
Laguna Honda - Bolívia (4.200m de altitude)

Laguna Negra - Bolivia (4.200m de altitide)


Laguna Negra - Bolívia

Laguna Negra - Bolívia


Laguna Negra - Bolívia

Laguna Negra - Bolívia

Laguna Hedionda - Bolívia

Laguna Hedionda

Laguna Hedionda - Bolívia

A versão boliviana do banheiro químico - que fedor!

Laguna Hedionda - Bolívia

Laguna Hedionda - Bolívia

Laguna Hedionda - Bolívia

Laguna Hedionda - Bolívia

Em seguida fizemos uma parada para ver um vulcão ativo (de longe, é claro), o vulcão Ollague. No seu topo a altitude é de 5.870m, possui uma cratera de 1.250m e dava pra ver a fumaça da atividade vulcânica...

Vulcão Ollague - Bolívia

Vulcão Ollague Bolívia

Já perto da hora do almoço, paramos no Valle de las Rocas que possui inúmeras formações rochosas com formas diversas. A que chamou mais atenção da gente foi o condor.

Valle de las Rocas - Bolívia

Valle de las Rocas - Bolívia 

Valle de las Rocas - Bolívia (pedra do Condor)

Valle de las Rocas - Bolívia

Valle de las Rocas - Bolívia


Paramos ainda para usar o banheiro em um vilarejo chamado de Alota, que tem apenas 600 pessoas e bem precário. 

Paramos para almoçar por volta das 14h, no vilarejo de San Cristobal (3.781m). O almoço foi servido no melhor hotel da cidade, com wifi e ar condicionado. A comida estava muito gostosa. San Cristobal é uma pequena localidade histórica no sudoeste da Bolívia, ainda no departamento de Potosí.  A cidade toda foi movida 20Km de sua localização original para permitir a exploração de uma das maiores minas de prata da região. a igreja colonial ficou conhecida por ter sido movida pedra a pedra e totalmente reconstruída. É uma das igrejas mais antigas do altiplano boliviano. No almoço demos uma checada na nossa oximetria de a oxigenação já estava acima dos 95 para todos. Um grande alívio. 

San Cristobal - Bolívia (3.781m de altitude)

San Cristobal - Bolívia (3.781m de altitude)

San Cristobal - Bolívia (3.781m de altitude)

San Cristobal - Bolívia (3.781m de altitude)


Em seguida precisamos fazer uma rápida parada na cidade de Uyuni para resolver uma emergência odontológica de um dos integrantes do grupo. Ele foi muito corajoso de se aventurar em um dentista, em uma cidade precária da Bolívia. Só pra esclarecer: ele já saiu do Brasil com dor, e achava que ia ser rapidamente resolvido. Mas na altitude, com a expansão dos gases, tudo piora, e a dor só aumentava. O que culminou com o desepero de procurar um dentista boliviano, sem nenhuma referência. Resultado, ele tratou o dente, passou um antibiótico e seguimos viagem! Assunto rapidamente resolvido, seguimos para a última parada antes de chegar no no que seria o nosso hotel pelas próximas duas noites. 

Centro de Uyuni - Bolívia (na frente do consultório do dentista)


Chegamos então em lugar bem interessante: o cemitério de trens da Bolívia, localizada em Uyuni, uma cidade de 15 mil habitantes. É uma atração turística com dezenas de locomotivas e vagões britânicos do século XIX abandonados. Uyuni surgiu como um centro ferroviário muito importante para o desenvolvimento da região em 1890, no período de maior exploração de minério na Bolívia, mas entrou em declínio no século XX, em meados de 1940 a fonte de minérios que parecia não ter fim foi secando. As locomotivas começaram a ser estacionadas em um enorme pátio de manobras na entrada da cidade.  E assim surgiu o cemitério de trens do Uyuni. Muitas locomotivas estão oxidadas pelos ventos salinos e repletas de pichações. É preciso muito cuidado ao subir nos vagões para não ter um acidente. A visita é gratuida e não é guiada. Ah, importante saber que as linhas férreas ainda continuam ativas e que alguns trens da Ferrovia Andina ainda passam por lá. 

Cemitério de trens do Uyuni - Bolívia

Cemitério de trens do Uyuni - Bolívia

Cemitério de trens do Uyuni - Bolívia

Cemitério de trens do Uyuni - Bolívia

Cemitério de trens do Uyuni - Bolívia

Por volta das 18h chegamos no hotel Luna Salada, um quatro estrelas que fica localizado praticamente na entrada do salar Uyuni. Esse hotel era incrível. Pra começar ele é todo feito de sal. A alimentação estava toda inclusa no nosso pacote. O quarto era enorme e muito confortável. Água quente e abundante. Wi-fi, eletricidade e calefação que ficavam ligados a noite toda. Piscina coberta e spa (pena que não deu tempo de aproveitar tudo). Mas, depois de mais 9 horas dentro de uma 4x4 no deserto boliviano, a gente estava precisando desse conforto. Uma noite nesse hotel custa em torno de U$300. A gente nem acreditava que ia dormir 2 noites nesse lugar tão maravilhoso. Da janela do quarto e do restaurante a gente conseguia ver o salar ao longe. E de noite por aqui teve a maior ventania. Nossa altitude era de 3.650m e estávamos bem. 

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia


Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia


Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia

No terceiro dia na Bolívia, finalmente era o dia de ir para o Salar Uyuni. A dormida foi fantástica e o café da manhã foi delicioso. E pudemos descansar bem. A saída pela manhã foi só às 10h. E hoje não precisava levar mala nenhuma. 

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia (vista da janela do quarto)

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia (cristal de sal)


A primeira parada do dia foi para conhecer uma fábrica artesanal de sal em Colchani. O sal é extraído do salar Uyunu em caminhões enormes e levado para as fábricas. Nas fábricas eles fazem construções de tijolos e esculturas, mas também preparam o sal para a venda. Esse vilarejo, que possui cerca de 600 habitantes, abriga a maior cooperativa de produção de sal da Bolívia. Estima-se que o Salar Uyuni possui 10 bilhões de toneladas de sal, com apenas 25 mil toneladas escavadas e processadas em Colchani anualmente. Visitamos uma das fábricas e pudemos ver o processo de extração e refinamento do sal. Aqui também tem um pequeno museu gratuito onde pode se observar várias esculturas de sal. Na rua principal tem uma feira de artesanato bem interessante. Claro que compramos do sal boliviano e alguns artesanatos, além de chocolate boliviano de coca. 

Fábrica artesanal de sal em Colchani - Bolívia

Fábrica artesanal de sal em Colchani - Bolívia

Fábrica artesanal de sal em Colchani - Bolívia

Fábrica artesanal de sal em Colchani - Bolívia

Fábrica artesanal de sal em Colchani - Bolívia

Fábrica artesanal de sal em Colchani - Bolívia

Fábrica artesanal de sal em Colchani - Bolívia


Feira de artesanato em Colchani - Bolívia

Feira de artesanato em Colchani - Bolívia


Depois de 48h viajando, chegar ao Salar Uyuni foi uma sensação extraordinária. Como lá era esperado um espelho d'água de pelo menos uns 10cm, paramos para alugar galochas na entrada do salar. Lá já tem um pessoal especializado nisso. Cada galocha é alugada por 20 BOB e tudo acontece na base da confiança. Ninguém assina nenhum papel e eles ficam lá até a hora que o último guia passa de volta para devolver as botas. 

Caminhão de extração de sal na entrada do Salar Uyuni - Bolívia

Caminhão de extração de sal na entrada do Salar Uyuni - Bolívia


Ponto de aluguel das galochas na entrada do Salar Uyuni - Bolívia

Primas realizando o sonho de estar no Salar Uyuni (e sairem vivas de lá). 

Entrada do Salar Uyuni - Bolívia

Entrada do Salar Uyuni - Bolívia

Entrada do Salar Uyuni - Bolívia


Aproximadamente 30 ou 40 mil anos atrás, o salar era completamente submerso como parte de um enorme lago pré-histórico chamado Michin. Com os anos, esse lago secou e formou lagos menores que formam o atual salar, da maneira que conhecemos hoje. O salar é tão fascinante, que ele é o único ponto natural brilhante que pode ser visto do espaço e por isso serviu de guia para os astronautas da Apollo 11, quando chegaram à lua em 1969.

O Salar Uyuni e o Lago Titicaca vistos da Lua

Gente, o Salar Uyuni é simplesmente incrível. De uma grandiosidade fascinante! Eu não imaginava que seria algo tão impressionante. Lá você consegue ouvir o silêncio! Isso mesmo, ouvir o silêncio.  Ah! é preciso usar óculos escuros com proteção UV durante todo o dia no salar, para evitar queimaduras nos olhos pela reflexão da luz no branco no sal, da mesma forma que acontece quando estamos na neve. São 10.000km2 de deserto de sal. 

Chegando no Salar Uyuni - Bolívia


Primeiro nosso guia parou no ponto onde a gente podia ver um dos respiradores do salar, que ele chama de Ojos del salar. A água é gelada e tem cheiro de enxofre e naqueles pontos a profundidade estimada é de 120 metros. Aqui não existe vida. Não tem animas, não tem vegetação - é a verdadeira definição de deserto. 

Ojos del Salar - Salar Uyuni - Bolívia

Ojos del Salar - Salar Uyuni - Bolívia


Com meus olhos clinicos de oftalmologista, achei incrível que as placas de sal são formadas por placas menores hexagonais exatamente iguais as células da córnea humana. Achei isso muito interessante e curioso. Ai fui pesquisar e descobri que isso é uma característica de todo os desertos de sal no mundo. As placas se formam como hexágonos devido a um processo de convecção do flúido subterrâneo sob a superfície (a água muito salgada, que fica logo abaixo da crosta de sal, movimenta-se verticalmente em velocidades diferentes), como esses movimentos ocorrem lado a lado, a crosta de sal é espremida, e moldada ao longo do tempo, que resulta num padrão em favo de mel. A forma hexagonal é a maneira mais eficiente da natureza preencher o espaço, sem deixar vazios. Por isso a nosa cónrea também tem esse padrão. 

Padrão em hexágono do Salar Uyuni - Bolívia, e da nossa córnea


Nosso guia nos mostrou, que naquele ponto ali, estava o vulcão Tunupa. O vulcão é considerado adormecido e está ao lado norte do Salar. Ele tem 5.321m de altitude. Ele é considerado um lugar sagrado associado a uma deusa cujas lágrimas formaram o salar. Para os mais aventureiros, existem passeios para o vulcão, mas o grande dificultador é a altitude. 

Salar Uyuni e o vulcão Tunupa - Bolívia


Aí nosso guia nos proibiu de chegar junto ao carro, porque ele estaria preparando uma grande surpresa para o grupo. Ficamos livres para passear e tirar fotos por pelo menos uma hora. O lugar realmente é muito fotogênico, e olha que a gente ainda nem tinha chegado à parte molhada do salar. 

Salar Uyuni - Bolívia
Salar Uyuni - Bolívia
Salar Uyuni - Bolívia
Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia #SantaCruzNoMundo


E eis que às 14h nosso guia nos chama para um incrível almoço nesse cenário cinematográfico. Tudo estava delicioso e a gente provou carne de llama. Uma carne bem macia, por sinal. Olha que a comida era o que eu mais tinha medo na Bolívia. Medo de não ter nada que me agradasse ou medo de passar mal. E o que foi surpreendente, tudo era gostoso, ninguém passou mal e comi feito uma capivara raivosa. 

Nosso almoço surpresa no Salar Uyuni - Bolívia

Nosso almoço surpresa no Salar Uyuni - Bolívia


Nosso almoço surpresa no Salar Uyuni - Bolívia


Nosso almoço surpresa no Salar Uyuni - Bolívia
comendo carne de llama


Depois do almoço nos dirigimos ao Centro de atrações turística das esculturas e arte no sal da Bolívia ou museu do sal do Uyuni, em Colchani (mas longe daquela área do artesanato, que fomos logo pela manhã). A entrada custava 20BOB por pessoa. Muito interessante. Tem condor. sapo, llama, mão de Deus, coruja, trem, raposa, pirâmide e até um labirinto de sal. Aproveitamos para ir ao banheiro, mas mesmo no museu precisava pagar 5 BOB. O chato é que as pessoas ficam horas tirando foto na mesma escultura e termina formando filas grandes (principalmente na escultura da mão de Deus). 

Museu do Sal - Salar Uyuni - Bolívia

Museu do Sal - Salar Uyuni - Bolívia

Museu do Sal - Salar Uyuni - Bolívia

Museu do Sal - Salar Uyuni - Bolívia

Museu do Sal - Salar Uyuni - Bolívia

Museu do Sal - Salar Uyuni - Bolívia

Museu do Sal - Salar Uyuni - Bolívia

Museu do Sal - Salar Uyuni - Bolívia (Eu não consegui ficar sozinha, foi a IA que apagou as pessoas!)

Museu do Sal - Salar Uyuni - Bolívia

Museu do Sal - Salar Uyuni - Bolívia

Em seguida paramos no monumento às bandeiras do Dakar que fica no primeiro hotel de sal do Uyuni. O inacreditável é que lá tinha uma bandeira de Pernambuco, meu País (estava colocada de cabeça para baixo, mas estava!). Là é um marco simbólico, onde viajantes do mundo todo deixam a bandeira do seu país e o nosso estava muito bem representado. 

Monumento às Bandeiras do Dakar - Salar Uyuni - Bolívia

Monumento às Bandeiras do Dakar - Salar Uyuni - Bolívia
Bandeira de Pernambuco!

Monumento às Bandeiras do Dakar - Salar Uyuni - Bolívia

Bem ao lado da Praça das Bandeiras, está localizado o primeiro hotel de sal construído no Uyuni. Ele foi construído na década de 90 e se chamava Hotel Playa Blanca. Tudo nele, inclusive as camas, era feito de sal. Hoje ele funciona apenas como museu e nele tem um pequeno ponto de apoio para venda de lanches e artesanato. Como o hotel foi construído no meio do deserto, teve graves problemas de saneamento, já que grande parte dos resíduos precisava ser coletada manualmente, como a coleta não era feita de maneira correta, causou um grave problema ambiental e foi fechado em 2002 (foi utilizado por apenas 3 anos). E depois, serviu de ponto de apoio do Rally Dakar.

Hotel Playa Blanca - Salar Uyuni - Bolivia

Hotel Playa Blanca - Salar Uyuni - Bolivia

Hotel Playa Blanca - Salar Uyuni - Bolivia

Hotel Playa Blanca - Salar Uyuni - Bolivia


O monumento Dakar, construído em sal, tornou-se um símbolo do deserto de sal e parada obrigatória dos tours. Ele marca a passagem do famoso Rally Dakar pelo deserto de sal da Bolívia, em 2014 ( o Rally Dakar é a maior prova de rally do mundo e teve sua primeira edição em 1979). 

Monumento Dakar - Salar Uyuni - Bolívia

Monumento Dakar - Salar Uyuni - Bolívia


Em seguida nos dirigimos para uma outra parte do salar (ainda seca) para tirar as melhores e mais criativas fotos com o nosso guia. Ele foi incrível e tinha bastante experiência. 

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia


Finalmente, por volta das 17h30 fomos para a parte molhada do salar. Gente, o lugar é divino. E quanto mais o sol baixava, mais bonito ficava o espelho d'água. As fotos não conseguem captar o quanto aquilo é lindo. É possível que na época escolhida para ir ao Salar Uyuni não tenha espelho d'água. Normalmente ele só está pressente durante o inverno altiplânico (que dura de dezembro a março). A água que inunda o salar vem do Lago Titicaca, que transborda na estação chuvosa para o Lago Poopó e então inunda o salar, criando o efeito de espelho. 

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia



Salar Uyuni - Bolívia - o voo dos flamingos

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia



Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia


Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia - o sol começando a se por


Nosso guia ainda nos preparou um lanchinho com direito a vinho boliviano. Olha, e preciso dizer que depois de hoje, atualizaei minha lista de por do ssol mais lindo e aqui ganhou disparado. Antes o por do sol numero 1 era o de Monterrey - Califórnia. 

Salar Uyuni - Bolívia - brinde com vinho boliviano

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia


Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia - ranking de melhor por do sol atualizado!


Quando voltamos para o hotel, já estava de noite. Paramos para observar o céu, que estava lindo e tiramos algumas fotos maravilhosas. É possível contratar um tour astronômico no Salar Uyuni. O nosso hotel oferecia, mas essa não foi a nossa opção. 

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Salar Uyuni - Bolívia

Paramos para devolver as botas antes de ir embora. mesmo com as galochas, as nossas meias estavam bem molhadas. 

Chegamos no hotel mortos de cansados, mas extasiados com a experiência vivida. O passeio foi lindo. Jantamos e fomos descansar. Amanhã seria o dia do regresso ao Chile e teríamos pelo menos 8h dentro da 4X4 para voltar para San Pedro de Atacama. 

Saímos do hotel por volta das 8h da manhã depois de uma noite bem dormida e um excelente café da manhã. 

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia

Hotel Luna Salada - Salar Uyuni - Bolívia - A gente fez uma competição de quem bebeu mais água. Cada casal trouxe 2 galões desses. Nós fomos os vencendores. 


O Nosso guia precisou parar para ver algo na mecânica do carro, para evitar problemas na volta e precisamos ficar cerca de 1h no centro de Uyuni. 

Uyuni - Bolívia

Uyuni - Bolívia (pizza de Tanajura...)

Vilarejo de Alota - Bolívia

Vilarejo de Alota - Bolívia

Vilarejo de Alota - Bolívia


Cerca de 2h30 depois da saída estávamos vendo a imensidão do Canyon Anaconda (4.000m). É uma formação rochosa natural que foi esculpida pela erosão da água e por movimentos tectônicos. É preciso ter cuidado ao se aproximar das bordas para fotografias, pois não existe nenhum tipo de proteção.  E também paramos para uma foto na Laguna Vinto. 

Canyon Anaconda - Bolívia

Canyon Anaconda - Bolívia


No caminho vimos um grupo de llamas tomando banho de areia na estrada. 


A próxima parada foi na pedra do camelo, que fica no valle de Rocas. É uma rocha vulcânica que foi moldada pelo vento e tem a forma de uma camelo. As fotos lá ficam muito legais. Lá pertinho da pedra vimos uma plantação de quinoa. 



Pedra do Camelo - Bolívia

Pedra do Camelo - Bolívia

Pedra do Camelo - Bolívia

Plantação de quinoa - Deserto boliviano

Depois paramos rapidamente na Italia Perdida. É uma formação rochosa única. A lenda conta que o primeiro visitante desse lugar foi um italiano que se perdeu no deserto boliviano, não conseguiu encontrar o caminho de volta e morreu, e antes de morrer. ele teria esculpido os paredões de pedra. 

Itália perdida - Deserto boliviano

Itália perdida - Deserto boliviano

Itália perdida - Deserto boliviano

Itália perdida - Deserto boliviano


Fizemos ainda uma parada num pasto de llamas. A gente não ia se aproximar das llamas, mas veio um carro e a gente teve que entrar no pasto para não sser atropelado. Levamos um baita grito da pessoa que estava pastorando as llamas... acho que ele achou que a gente ia roubar as llamas. HAHAHAHA! Por ultimo ainda vimos a Laguna Campina, que é mais um lago de água salgada onde os flamingos adoram ficar. 

Llamas no deserto biliviano

Llamas no deserto boliviano

Laguna Campina - Deserto boliviano


A gente então começou a ficar preocupado com a hora, pois a fronteira da Bolívia fechava às 17h e já eram quase 15h. A gente ainda nem tinha almoçado e o guia ainda queria parar para a refeição. Decidimos em grupo que a gente preferia não almoçar e comer apenas os lanchinhos que a gente tinha nas mochilas. Essa decisão foi fundamental para tudo dar certo no final!

Deserto boliviano


A gente chegou na fronteira da Bolívia (Hito Cajones) às 16h30, mas devido a uma tempestade de neve (isso mesmo, neve!) que estava se formando, resolveram fechar a fronteira mais cedo. Foi uma correria. O guia abriu o carro e mandou a gente correr (Só se passa andando pela fronteira). No desespero os 4 que estavam nos bancos da frente e o guia correram para a aduana e eu e Lili ficamos presas no banco de trás da 4X4 (que só abre se alguém da frente levantar o pedal). Foi desesperador! E a gente não estava nem entendendo o porque de tanta correria, que ele só explicou depois. 
Conseguimos passar pela aduana, mas ainda tinha o processo do carimbo de saída no passaporte e a fronteira chilena!
Quando a gente conseguiu terminar o processo boliviano, a gente foi de carro até o ponto de encontro, para esperar o carro com o guia chileno que vinha nos buscar. Notamos uma tensão crescente no nosso guia, que normalmente era bem risonho. Ele nos deixou no carro e foi com o telefone para um lugar mais afastado, e estava bem preocupado (e nós também). A fronteira do Chile também fechava em 20 minutos e a gente não queria dormir naquela estalagem para os guias e Lili e Gabriel tinham o voo de volta para o Brasil, no dia seguinte bem cedo (antes da fronteira reabrir). Imaginem o nosso desespero!
De repente, o guia volta para o carro, com uma cara super preocuapdo e diz: "Tengo malas noticias: Vamoss dormir en Bolivia!" A gente não sabia nem o que fazer! Mas felizmente era uma brincadeira. 
O guia tinha conseguido falar com o motorista que vinha do lado chileno. Por causa da tempestade de neve, eles estavam com problemas no sistema de imigração no Chile, mas estavam cientes que a gente tinha passado pela fronteira da Bolívia e iam nos aguardar! 
Vocês não tem ideia da nossa felicidade quando o guia chileno chegou. Foi nessa hora que começou a nevar bem de leve. O alívio foi tão grande que ninguém lembrou do mal da altitude!
Nos dirigimos para a fronteita do Chile e fizemos a imigração e aduana e seguimos de volta para o nosso hotel em San Pedro de Atacama. Amém!
Mas, como a gente sempre diz, só passa perrengue quem viaja! Mais uma história para contar.

Já dentro da van, depois de passar pela imigração chilena

alegria de ter conseguido passar pela fronteira

Neve no Atacama, em pleno verão.



Agora aquele resumão com as minhas considerações finais!
A Bolívia é linda, mas as condições sanitárias são realmente bem precárias. Não sei como são as condições em uma cidade grande como Sucre ou La Paz. Os banheiros, de uma maneira geral, são terríveis. O meu maior medo era a comida. Mas comemos bem e ninguém passou mal por causa de comida. 
Não teria coragem de fazer esse passeio na categoria clássica. Dormir em uma cama confortável, em quarto com banheiro não compartilhado foi essencial. 
A altitude maltrata muito. Respeite os limites do seu corpo e se informe bastante antes de viajar. Fiz um post só sobre o mal da atitude e pode ajudar muito.
O Salar é um lugar incrível, mas chegar até ele não é fácil. São muitas horas de viagem, em estrada de terra em uma 4x4. Mas, diferente do que a gente imagina, o passeio tem muitos atrativos e não passamos os quatro dias vendo o sal. 
Sim, só vamos ao Salar Uyuni no treceiro dia de passeio. 
É o tipo de passeio que agradeço de ter tido coragem de fazer na vida, mas não sei se estaria disposta a passar por tudo isso novamente. 
Não deixem de visitar, se tem vontade e gostam de aventura. Inclusive, essa parte do país vive praticamente do turismo. Para eles é bem importante que o turismo continue, mas façam tudo com muita segurança.
Se tiverem dúvidas e quiserem entrar em contato, não hesitem em me enviar mensagem. Será um prazer fazer a sua viagem mais suave e tranquila. Sempre estou à disposição para tirar qualquer dúvida sobre o roteiro. Podem me contactar pelo direct do instagram @viajandocomadoutora
Super indico dar uma olhadinha no post completo de San Pedro de Atacama. Lá tem restante da descrição do nosso roteiro. 

Ah! Esqueci de finalizar a história da ida ao dentista. Nosso amigo continuou com dor de dente, mas parecia uma dor mais leve. Ao chegar no Brasil, procurou seu odontólogo de referência e pra surpresa de todos, o dentista boliviano tratou o dente errado!!!! Pasmem!!! Agora o problema tinha duplicado e ele teve que gastar uma grana pra consertar o que foi feito no dente lá na Bolívia! HAHAHA
A gente ri agora, mas na hora, foi perrengue chic! E fica o aprendizado, não viagem com nenhuma dor. Tratem tudo antes de viajar!



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